A Polícia tem mais que motivos para estar preocupada com aquilo que aconteceu na esquadra, em Moscavide, e se repetiu depois noutro ponto do país (não me recordo onde), no mesmo dia. Já havia muita gente que sabia que muitas esquadras, especialmente as situadas em zonas periféricas, se encontravam quase desertas, mas normalmente só o constatava quem lá ia apresentar queixa. Agora, graças às notícias e aos acontecimentos recentes, os criminosos também passaram a ter plena consciência disso. Seja, portanto, bem vindo ao "quem apresenta queixa, leva!".
A invasão das esquadras por gangs é provável? Talvez não. Mas o facto de ser inteiramente possível não deixa de ser preocupante - e uma metáfora para o clima de insegurança que, aos poucos, se vai sentindo num país onde o fosso entre ricos e pobres se acentua cada vez mais. É a "sombra da favela" que vai galgando, nesta lenta marcha fúnebre rumo ao terceiro mundo.
A invasão das esquadras por gangs é provável? Talvez não. Mas o facto de ser inteiramente possível não deixa de ser preocupante - e uma metáfora para o clima de insegurança que, aos poucos, se vai sentindo num país onde o fosso entre ricos e pobres se acentua cada vez mais. É a "sombra da favela" que vai galgando, nesta lenta marcha fúnebre rumo ao terceiro mundo.
A propósito disto, e para acentuar o carácter alarmista ao mesmo tempo que o desdramatizo pelo ridículo da comparação, "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, com a imortal "Dadinho o caralho! Meu nome é Zé Pequeno". Recomendo vivamente, como penitência, a quem tenha cometido o crime de ainda não ter visto.
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