
Compreende-se o entusiasmo do PSD por Manuela Ferreira Leite: pela primeira vez, desde a fuga de Durão Barroso, surge uma liderança vinda do "lado sério" do PSD, longe daquela "política pimba" perseguida por Santana Lopes e Luís Filipe Menezes. Creio ser injusto, apesar da mediocridade, colocar Marques Mendes nesta lista, mas, infelizmente para ele, a sua estatura física acabou por caricaturizá-lo irremediavelmente. (Podem negá-lo à vontade - nenhum analista político referirá directamente a questão, com um receio - correcto - de descredibilizar todo o sistema democrático, mas a súmula da coisa passou muito por aí).
Seja como for, Manuela Ferreira Leite até pode ter todas as condições possíveis e imaginárias para devolver alguma dignidade ao PSD, mas não constitui ameaça real a José Sócrates. Faltar-lhe-á agressividade política para resistir ao "corpo a corpo", e tem a sua estratégia de oposição bastante dificultada, por dois motivos: é a mãe da obsessão pelo défice, e apoiou recentemente António Costa na questão do empréstimo à CML. Daí que, a ser certo que é Ferreira Leite a eleita do PSD, estou curioso para ver como vai a ex-Ministra das Finanças fazer oposição: terá que ser, certamente, uma oposição muito "criativa". Ou se torna mais papista que o Papa, (neste caso, mais Socratista que Sócrates), ou então o objectivo passa mesmo por deixar que o PSD perca, mas com alguma dignidade.
Se o plano passar pela segunda hipótese, acredito que Ferreira Leite conseguirá, se souber encontrar o seu lugar e se apostar em força na adesão que a imagem de um PSD sólido consegue obter, impedir José Sócrates de conseguir nova maioria absoluta. Tirá-lo do poder, ainda não será desta. Mas talvez isso não seja mau de todo, para o PSD idealizado por Ferreira Leite e Cavaco Silva. Mau, mau, é mesmo para quem vota.
2 comentários:
Quando digo "estou curioso para ver", na verdade, estou a mentir.
A nossa política é absolutamente desinteressante. Aborrecida. Enfadonha. Gasta. O défice já enjoa.
Importante, importante, era arranjar uma nova desculpa para atacar os bolsos dos contribuintes. Ameaçá-los com o Godzilla, um ataque de aliens, o aumento do preço dos chocolates, uma estranha micose que afecte o pé esquerdo da classe política por inteiro e que obrigue a "despesas de representação" no valor de 15 mil euros por cabeça em cada deslocação oficial ao estrangeiro. Isso sim, era um "refresh" da política.
Já viram a cara da Manuela Ferreira Leite? O PSD mudou de logo para apresentar a "Manuela Ferreira Leite" como líder? Isso é para ser levado a sério?
Eu dou por mim a desejar que o outro ditador, lá do Porto, se meta ao despique, por dois motivos: o primeiro, porque ele é o único capaz de derrotar José Sócrates - e eu vou gostar de ver a cara de derrotado de José Sócrates. O segundo, porque Rui Rio é descaradamente mais detestável que José Sócrates. Não é por mais nada, mas estou um pouco farto de ser encavado com festinhas nas costas. Com Rio será à bruta. Se Sócrates toma dois cafés, de pé, ao balcão do Braancafé, Rio tomará três, a levitar em cima do empregado; se Sócrates se passeia pelas ruas desertas e sujas do Bairro Alto, em amena cavaqueira com aquele emplastro denominado "jornalista da Sic", cujo nome não conheço, Rio será apanhado a urinar numa das esquinas, mostrando o quão à-vontade está com tudo aquilo; e, claro, Rio tem um trunfo que Sócrates não tem: o bairro de são joão. Basta que Rio os atice e, mais dia menos dia, alguém irá "chinar" Sócrates.
Seja como for, a conclusão: as perspectivas não são, de todo, nada animadoras, nos próximos anos. Sabe deus porque ainda nos esforçamos por falar de política. Meto isto em comentário porque me encontro numa grande ambivalência de mim mesmo, neste momento; não sei se me hei-de rir, se hei-de chorar. Para já, Manuela Ferreira Leite (na foto) parece-me uma resposta possível, a única, aliás.
"Manuela Ferreira Leite", como resposta numa linha de "Vahina Giocante", para quem entender.
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