Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
Boas festas!
Publicada por César em 12/26/2007 02:56:00 PM 1 comentários
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
A sofisticação do sexismo
Este é um tema tabu. Ainda assim, estas mesmas palavras, ditas por um homem, causavam o efeito de histeria geral a que estamos habituados cada vez que alguém pisa a linha vermelha do "politicamente correcto". Da minha parte, talvez esteja a ser irresponsável, ao focar o assunto; talvez não me devesse expor de uma forma passível de ferir sensibilidades, num tema que tantas vezes tende a levar a discussão para um nível de mediocridade mental. Não é, garanto-o, o propósito destas palavras. Por isso mesmo, acho que foi um excelente sinal ter sido, justamente, uma mulher a referi-lo.
Saindo do mundo da revista Atlântico - sobre a qual não pretendo tecer outro comentário senão o de saudar a existência do projecto - creio que o texto toca num ponto sensível, que é o "desempenho" das mulheres na blogosfera, em geral, e especificamente nos blogues colectivos ditos "de referência". Acho inacreditável, e ao mesmo tempo sociologicamente curioso, que algumas das senhoras convidadas para esses blogues se posicionem automaticamente num "papel menor", a pretexto de uma "abordagem feminina". Especialmente quando essa abordagem parece ser sinónimo de análises fúteis e superficiais, em jeito de "posta de pescada", sobre seja o que for, ou normalmente sobre coisa nenhuma.
Na minha opinião, as boas ideias, tal como as imbecilidades, não têm sexo. Constato, no entanto, que talvez possa estar enganado: imagino que, se fosse um dos colaboradores masculinos a escrever exactamente as mesmas coisas ou a versar os mesmos assuntos ou temáticas, seria imediatamente e agressivamente atacado pela horda pululante de intelectuais que freneticamente percorre post atrás de post em busca do erro factual ou da imbecilidade, naquele típico e blogosférico ímpeto de denúncia feérica, carregadinho de testosterona, que serve, em última análise, o supremo objectivo de confrontar os egos e expor espólios intelectuais. No entanto, as mesmas imbecilidades - porque, analisando friamente, o são - escritas por mulheres, conduzem apenas, e invariavelmente, ao silêncio desinteressado, ou ao aplauso.
É um sexismo sofisticado, este. E encontra tantas culpas nos homens que são condescendentes com mulheres como nas mulheres que são condescendentes consigo próprias.
(Nota: poderia, claro, terminar este texto dirigindo uma série de elogios - merecidíssimos - ao membro feminino deste blogue. Dizendo que ela representa, justamente, o pólo oposto destas mulheres a quem me refiro. Mas isso seria, para além de uma constatação do óbvio, apenas mais uma forma de condescendência).
Publicada por César em 12/20/2007 04:32:00 PM 6 comentários
Etiquetas: Blogosfera, sexismo no séc. XXI
Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
Perspectivas - A escrita (2)
«Alquimia do Verbo
Há muito que me vangloriava de possuir todas as paisagens possíveis, e achava dignas de escárnio as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Apreciava as pinturas idiotas, guarnições de portas, cenários, telas de saltimbancos, tabuletas, gravuras populares; a literatura fora de moda, latim de igreja, livros eróticos com erros ortográficos, romances das nossas avós, contos de fadas, livrinhos de infância, velhas óperas, refrões simplórios, ritmos ingénuos.
Sonhava cruzadas, viagens de descobertas cujo registo não se fez, repúblicas sem histórias, guerras de religião abafadas, revoluções de costumes, deslocações de povos e de continentes: acreditava em todos os encantos.
Inventei a cor das vogais!
A preto, E branco, I vermelho, O azul, U verde. - Determinei regras para a forma e movimento de cada consoante, e, com ritmos instintivos, gabei-me de ter inventado um verbo poético acessível, mais dia menos dia, a todos os sentidos. Reservava para mim a tradução.
Inicialmente foi um ensaio. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens».
Rimbaud, in "Uma temporada no Inferno"
Publicada por César em 12/13/2007 11:47:00 PM 1 comentários
Etiquetas: Delírios II, Escrita, Perspectivas, Rimbaud
Autocracia Europeia
Hoje, dia 13 de Dezembro, qual dia da libertação, os transportes públicos estavam de portas escancaradas, talvez para demonstrar a magnanimidade dos chefes de paróquia à comitiva de novos misteres que, de caneta em riste, se reuniu aqui no burgo para assinar, na continuidade da Cimeira dos Ditadores, em segundo almoço de negócios, o documento que ninguém aprovou, e que dá pelo nome "de Lisboa".Publicada por César em 12/13/2007 02:35:00 PM 2 comentários
Etiquetas: Europa sem opting out, Tratado de Lisboa
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Contra o assassinato linguístico do Português
Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado.
Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo.
Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora. E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado".
Publicada por César em 12/10/2007 04:54:00 PM 12 comentários
Etiquetas: Petição, é caso pra djizer qui tô até ficando úmido...
Sábado, 8 de Dezembro de 2007
O exercício da Inês
"Eles têm trabalho de casa a Educação Visual", pensei eu, impressionado: obviamente, iria ajudá-la. "O quê que é para fazer?", atirou-me a Inês, com os olhos brilhantes de uma súplica esperançosa. "Deve ser fácil", pensei eu. Nunca duvidaria; apesar das artes não serem exactamente a minha área, falávamos afinal do 8º ano, e eu até dou uns toques de desenho.
Olhei então para a folha do exercício. Nela, à esquerda, estava um quadrado branco, de 6 por 6 centímetros, mais ou menos. Do lado direito, um quadrado branco quatro vezes maior. E, ao topo, o enunciado: "No módulo, desenha um cubo sob a perspectiva isométrica. Recria depois um padrão, destinado a um painel de azulejos, fazendo uso desse módulo. Classifica o tipo de padrão que utilizaste".
"Ok", disse-lhe eu. "Tens que desenhar aqui um cubo" - e apontei para o quadrado pequeno da esquerda, que descobri chamar-se módulo - "e aqui" - apontei para o quadrado maior - "tens que dividir em vários quadrados de igual tamanho e desenhar em cada um deles o cubo que fizeste no módulo, para criar o efeito de um painel de azulejos". Ela respondeu-me, com ar condescendente: "Sim, até aí eu tinha percebido. Mas como é que se faz um cubo numa perspectiva isométrica?"
"Boa pergunta", pensei eu. De facto, senti-me levemente ignorante. Não fazia ideia do que fosse uma perspectiva isométrica. Mas apostaria que uma miúda do oitavo ano deveria ser obrigadíssima a sabê-lo. Afinal, se o exercício assim o exigia, seria forçosamente porque isso lhe tinha sido ensinado. "Isso, minha cara Inês" - disse-lhe eu, assumindo o meu característico tom paternalista e não querendo de modo algum dar parte fraca da minha ignorância - "deve estar no teu manual de Educação Visual. É para isso que eles servem, sabias?" - espicacei.
Concordou; não se tinha lembrado ainda de abrir o manual, já que o livro onde constava o exercício era apenas de apoio. Assim sendo, começámos a procura: abri o manual na secção 5, com o título "Padrão", e comecei a vasculhar com olhos de lince à procura da definição - ou, pelo menos, de uma referência que fosse, um exemplo, qualquer coisa - de algo que se assemelhasse vagamente a um objecto representado sob a perspectiva isométrica.
Não vi nada. Mas vi o exercício, exactamente, do cubo, e do painel de azulejos, resolvidíssimo e chapadíssimo no manual a servir de exemplo. Boa."Estás a ver, Inês?" - disse-lhe eu - "É isto que tens que fazer". -- "E este cubo que aqui está, que é mais um paralelipípedo que outra coisa qualquer, é portanto um cubo representado em perspectiva isométrica", pensei eu, cá para os meus botões. "Fixe", disse ela, "então só tenho que copiar daí, não é?". "Sim". O único problema que eu via, mas não disse à Inês, é que infelizmente o exemplo do livro não chegou para me esclarecer acerca do que era, afinal, a perspectiva isométrica. Até porque desconfiava que, se me pedissem para desenhar uma pirâmide triangular em perspectiva isométrica, no mesmíssimo exercício, provavelmente pediria ajuda ao primeiro "desenhista de aniversário" que me entrasse pela casa adentro.
"Bom", pensei eu, "é para isso que existe a internet". Procurei no Google: "Perspectiva Isométrica". Dos resultados que me apareceram, abri um ao acaso, porque exemplificava com um cubo: "A perspectiva isométrica é". Começa bem. "...um caso especial de axonométrica. Em toda a isométrica os segmentos paralelos aos eixos x, y e z (no espaço) têm as suas projecções em V. G. (verdadeira grandeza) na perspectiva considerada".
Mesinha em Perspectiva Isométrica, retirada da Wikipédia.Não se vá muito mais longe. O problema da educação em Portugal é justamente este: os miúdos têm que se esforçar mais a tentar perceber os exercícios do que a resolvê-los. No entanto, não se pode dizer que não tenha sido pedagógico: eu, por exemplo, aprendi o que era a perspectiva isométrica, tive a ideia para fazer este post e saí vitorioso - e com o ego intocado, dentro do possível! - de um exercício do oitavo ano. Quanto à Inês, não fiquei para ver como corria a coisa, mas desconfio que tenha dado uma gargalhada a pensar na burrice de quem faz os manuais quando começou a copiar o exemplo que lá estava chapado. Chamem-lhe burra.
Publicada por César em 12/08/2007 03:53:00 AM 4 comentários
Etiquetas: educação (ou educalão), você decide
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Obrigado
Para que serve esta Cimeira? Vão dizer que toda a gente se vai portar bem e prometer trocazinhas comerciais e petróleo uns aos outros?! Podiam bem fazê-lo por telefone. Entretanto gastamos nós 10 milhões de Euros para tirar umas fotos com uns quantos ditadores-zecos? É mesmo show-off à Sócrates (e à tuga parolo), esse tecnocratazinho irritante com as suas corridinhas matinais em todo o mundo. Nunca mais desaparece este palhaço inútil que nos envergonha».
Entretanto, o senhor que vai acampar aqui em baixo, (*)

... fez publicar ontem um anúncio de página inteira no jornal Público onde defende a utilização de minas terrestres nos países por si considerados "fracos", como único meio de auto-defesa, criticando a Convenção de Otava de 1997 e defendendo a sua revisão. Passa-se a citar,
Os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos. Os países fortes, que são capazes de violentar a terra dos outros para os destruir com as suas armas estratégicas mortais, nunca pensaram nas necessidades dos fracos que não têm armas ofensivas, que não têm outra coisa a não ser armas defensivas como minas".
O anúncio continha ainda, em grande plano, um link para a página pessoal do próprio, que vamos também deixar aqui para v/ consideração: http://www.algathafi.org/.
(*)Atenção; não confundir com o que mora aqui,
que chega hoje e não sei onde se vai instalar.
Nota: este blogue cumpre as normas higiénicas vigentes e não está organizado sob um critério editorial coerente.
Publicada por César em 12/06/2007 04:18:00 PM 0 comentários
Etiquetas: Cimeira UE - África
Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Desabafo autista
Publicada por César em 12/05/2007 10:54:00 AM 0 comentários
Etiquetas: assuntos que não me dizem respeito
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
Da série: "Não gosto mesmo nada de Partidos Políticos" (1)
Restam as causas fracturantes.
São perfeitas. Têm provas dadas de sucesso e baixíssimo risco político, como se viu no referendo do aborto e como se verá com o casamento gay, que o Bloco tentará levar ao Parlamento no início da próxima legislatura (sem referendo). Unem o partido, devolvem-lhe a iniciativa política, dão-lhe a liderança da frente de esquerda, põem o PS e o PCP a trabalhar para a sua glória, colhem apoios à direita, colhem apoios na opinião pública, atraem artistas e intelectuais, têm uma aura romântica, heróica, progressista. E, sobretudo, misturam inimigos bem visíveis e mal amados: os conservadores, os "fascistas", a extrema-direita, os skins, a província, os três éfes, a Igreja. Sim, a Igreja. Não a que eles citam quando lhes dá jeito, mas a que os incomoda. E muito. Lembrem-se de quem atacaram na polémica ainda mais pífia dos rankings das escolas".
Publicada por César em 12/03/2007 10:51:00 AM 0 comentários
Etiquetas: Bloco de Esquerda